Diversidade é um dos atributos de EVP Employee Value Proposition mais importantes para que atuais e futuros talentos admirem e queiram fazer parte da empresa. Conforme a Glassdoor, 78% dos colaboradores esperam que seus empregadores sejam inclusivos e tratem todos com equidade. Muitos estudos já mostram o quanto empresas inclusivas geram mais criatividade, inovação, engajamento e lucro.

Mesmo assim, no caso das mulheres (não só, lógico, mas vou me ater às mulheres aqui), apesar dos avanços, a mudança ainda é lenta. No dia 19 de setembro estive no evento promovido pela Mega Brasil - "Caminhos do Feminismo".

Uma das brilhantes convidadas, Margareth Goldenberg, gestora do Movimento Mulher 360, apoia empresas a estabelecer "metas com tempo definido" (como ela mesma denomina - evitando a possível polêmica da palavra "cotas") para que mulheres ocupem mais cargos de liderança.

"Atualmente, temos mais mulheres formadas do que homens, mas a presença delas vai diminuindo conforme avançam em suas carreiras nas empresas".

Image removed.

Outra palestrante, Lia Castro (à esquerda na foto), CEO do grupo M.A.E. Corporate, dedica-se a apoiar mães que já têm seus próprios negócios ou desejam empreender, além de incentivar empresas a acolher as mulheres que retornam do período de licença maternidade.

"Todos perdem quando uma mulher deixa o mercado de trabalho; e as empresas precisam entender que estão competindo com o maior amor da vida dessas mulheres: a filha ou o filho, que está em casa".

À direita, na foto acima, está Silaine Stüpp, que, após passar por situações constrangedoras em entrevistas de emprego, criou a HerForce, portal com avaliações e vagas de empresas que praticam a diversidade (ou não).

Image removed.

O evento foi repleto de mulheres inspiradoras e, ao final, trouxe líderes de grandes empresas, como Cristiana Xavier de Brito, Diretora na BASF, Claudia Leite, Diretora na Nespresso, e Viviane Mansi, Diretora na Toyota (foto acima), que compartilharam desafios e conquistas nos ambientes corporativos.

Cristiana, a Cris, conta que, quando integrou o board da BASF, era a única mulher à mesa. E isso a provocou a gerar mudanças internas para levar outras mulheres aos cargos mais seniores, além de a inspirar a escrever o livro Mulher Alfa- Liderança que Inspira. Já a contratação da Vivi foi bem clara, segundo ela, mostrando que a Toyota quer atuar cada vez mais na promoção da equidade - inclusive nos níveis mais altos da empresa, que está imersa em um dos setores mais masculinos, o automotivo.

Foi um dia rico e inspirador, que nos lembra o quanto certos atributos que compõem o EVP e guiam as marcas empregadoras, que querem ser percebidas como excelentes ambientes de trabalho, estão se tornando inegociáveis. E a inclusão e diversidade é um deles.

Se hoje EVPs que refletem a valorização da mulher no trabalho (e em cargos de liderança - no caso das que almejam esse papel) ainda são tidos como um "diferencial", nossa ação é para que, o mais rápido possível, sejam lugar comum. E a mudança não passa apenas pela questão de benefícios, não é assunto só de RH, mas de gestão do negócio.

Caso a empresa ainda não tenha práticas inclusivas e que valorizem a diversidade, o importante é se incomodar e arregaçar as mangas o quanto antes. Agir antes de falar - sempre! E adiante nessa jornada, pelos caminhos do feminismo.

DICA DE LEITURA: Liderança Shakti: o Equilíbrio do Poder Feminino e Masculino nos Negócios, de Nilima Bhat e Raj Sisodia, que apresentam um estilo de liderança mais cooperativo, criativo, inclusivo e empático.

Daniela Bittencourt Ferreira é consultora externa da Edelman Brasil e especialista em Empolyer Branding, Employee Experience, Cultura e Comunicação Corporativa